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Anticoncepcionais - O que há de novo no front

 
Tatiana Bonumá (Jornalista Revista Mari Claire)
Pílula vaginal
Mulheres que não tomam pílula porque sentem enjôos, queimação no estômago ou ânsia de vômito podem experimentar a Lovelle, primeira pílula vaginal brasileira. Durante 21 dias, a mulher introduz um comprimido na vagina e faz uma pausa de sete dias, quando menstrua. O medicamento inibe a ovulação e torna o muco da entrada do útero mais espesso, dificultando o acesso dos espermatozóides. Segundo o fabricante, tem 99% de eficácia.

Como os hormônios da pílula vaginal são absorvidos pelos órgãos genitais, circulam pouco pelo corpo e os efeitos colaterias são bem mais suaves do que os das pílulas convencionais. Por outro lado, exige mais cuidados, como higiene pessoal apurada. Além disso, a mulher não deve manter relações sexuais nos 30 minutos depois do uso. O medicamento é contra-indicado para quem tem corrimento intenso ou sangramento vaginal. Serviço: lançado em maio, o Lovelle é fabricado pelo laboratório Biolab Sanus (atend. ao consumidor, tel. 0800-11-1559) e custa R$ 10 (caixa com 21 comprimidos). Vendido com prescrição médica.

Camisinha unissex
Trata-se de um preservativo descartável, similar à camisinha comum, mas que tem uma extremidade mais larga do que a outra -por isso, também pode ser colocado no corpo da mulher. Outra diferença é o material, um tipo de plástico que é mais resistente e fino do que o látex, garantindo maior sensibilidade durante a relação. O produto está sendo usado na Colômbia e deve chegar ao Brasil no ano que vem.

DIU com hormônios
Já está à venda na Escandinávia o Mirella, um tipo de dispositivo intra-uterino que, além de impossibilitar a ovulação, também impede que a mulher menstrue, porque libera hormônios. O medicamento já foi aprovado na Europa e nos EUA, mas ainda não se sabe quando chegará ao Brasil.

Anel vaginal
É uma espécie de "canudo" com cerca de cinco centímetros de comprimento que libera hormônios e impede a ovulação. Deve ser colocado na vagina e retirado depois de 21 dias, para que a mulher menstrue. Não atrapalha as relações sexuais e pode ser colocado e retirado pela usuária. As pesquisas estão em fase final nos EUA e na Europa; o medicamento (fabricado pelo laboratório Organon) deve ser lançado aqui em três anos.

Pílula do dia seguinte
Se a proteção falhou na hora do sexo, agora há uma alternativa segura para impedir uma possível gravidez: se ingerido até 72 horas depois da relação (quanto antes, melhor), o Postinor-2 impede que o óvulo se fixe nas paredes do útero -depois de 12 horas da ingestão do primeiro comprimido, é preciso tomar outro. Com 95% de eficácia (segundo o fabricante), a pílula não prejudica a formação do embrião se já estiver alojado no útero. Tomar o Postinor-2 é mais seguro do que usar uma combinação de várias pílulas anticoncepcionais para obter o mesmo resultado porque, como o medicamento não contém estrogênio, seus efeitos colaterais são bem mais leves. Mas o remédio só deve ser usado em emergências -ingerido com freqüência, pode desregular o ciclo menstrual, causar enjôos e dores de cabeça. Serviço: lançado em julho, o Postinor-2 é fabricado pelo Aché Laboratórios Farmacêuticos (atend. ao consumidor, tel. 0800-12-5005) e custa R$ 16 (caixa com dois comprimidos). Vendido com prescrição médica.

Pílula masculina
O método mais polêmico entre os novos contraceptivos é uma pílula chamada Nofertil que está sendo fabricada (só para estudos) no Brasil pelo laboratório Hebron. O medicamento inibe a formação dos espermatozóides e deve ser tomado todo dia, sem interrupções. Já foi testado em 10 mil voluntários.

Teste seus hormônios

Além do teste de gravidez, dois novos kits do laboratório Blusiegel (atend. ao consumidor, tel. 0800-11-6399) medem os hormônios do corpo da mulher: Fertility day -é útil para quem quer engravidar, porque detecta o dia mais fértil do ciclo menstrual, mas não deve ser usado como anticoncepcional, porque é possível engravidar até nos dias menos férteis. O teste é vendido em caixas com cinco unidades a R$ 120. Maturity test -às vezes é difícil saber se a mulher já entrou na menopausa ou não. Para ter certeza, o teste precisa dar positivo em pelo menos dois meses seguidos. É vendido em caixas com cinco unidades a R$ 70.


Fontes: Cesar Eduardo Fernandes, ginecologista e diretor clínico do Instituto de Saúde e Bem-Estar da Mulher de São Paulo; Elsimar Coutinho, professor-doutor com especialidade em ginecologia e reprodução humana da Universidade Federal de Medicina da Bahia; e Tânia Lago, secretária do Ministério da Saúde.
* Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, realizada entre 1991 e 1996.

Ilustração: GutoLlins
Preços médios fornecidos pelos fabricantes em setembro/99, sujeitos a alterações


http://marieclaire.globo.com/edic/ed106/sau_anticon1.htm